#DifraçõesHistóricas

Uma escrita da História no tempo das contingências

O homem como criatura do ar (citação)

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Assim como os homens, individualmente, se movimentam num cenário por demais conhecido sem notar as suas características, também o homem – falaciosamente – não dá importância ao ar todo penetrante. Os seus historiadores falam de terras e mares. Mas quase todas as movimentações de povos tem sido não tanto em busca de melhores países como à procura de melhores condições atmosféricas. “Um lugar ao sol” explica muita coisa da história com mais exatidão do que pensamos, só que também poderiamos dizer “Um lugar à chuva”. Uma tempestade na época das colheitas pode derrubar um ministério e uma pequena elevação ou queda de temperatura pode minar um trono; uma mudança no campo das tempestades pode arruinar um império. No século XX, uma variação temporária das chuvas fez com que os Okies emigrassem às centenas de milhares, assim como no século III uma mudança similar poderia, num só ano, lançar os hunos contra a fronteira chinesa e fazer com que os caledónios pintados de azul assaltassem a Muralha de Adriano. Na massa como no indivíduo, o homem é menos um animal da terra que uma criatura do ar.

STEWART, George. A Tempestade. Trad. Alex Vianny, Lisboa: Livros do Brasil, s.d. p. 28.

 

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Publicado às 8 de setembro de 2016 por em Notas de leitura e marcado , .
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