Rio Whanganui. Fonte: http://www.whanganuiriver.co.nz
Pode um território e um corpo de água serem, legalmente, considerados pessoas? Na Nova Zelândia isso é possível. O antigo parque nacional de Te Urewera, na ilha do Norte, tornou-se entidade legal com todos os direitos, poderes, deveres e responsabilidades de uma pessoa, após o governo abrir mão da propriedade formal da área. Na prática, qualquer processo envolvendo a proteção da área será realizado em nome do próprio território, independente de quaisquer danos causados a humanos.
Essa revolucionária abordagem jurídica leva em consideração anos de debates com os povos Maori. Para os Maori, um espaço geográfico ou rio é parte integrante da sociedade, não cabendo a presunção de soberania humana sobre o mundo natural.
Atualmente há um projeto de lei para dar o mesmo status ao rio Whanganui, o terceiro maior curso fluvial da Nova Zelândia. Para os Maori, o Whanganui é um “corpo vivo e indivisível, compreendendo o rio, seus afluentes, desde as montanhas até o mar”. Espera-se que esse projeto de lei seja aprovado no parlamento ainda esse ano.
O acesso público a Te Urewera continuará liberado. Contudo, atividades como caça e pesca precisarão de licenças que serão emitidas por um conselho envolvendo representantes do governo e dos povos Maori.
Essa reportagem foi feita pelo jornalista Bryant Rousseau, para o portal The New York Times, e sua versão completa pode ser lida clicando aqui.
Nota: Gostaria de agradecer a Juliana Fausto (@churiana) por gentilmente me indicar essa reportagem.
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